21 de out de 2008

Para platéia lotada, Marcelo Camelo apresenta seu primeiro trabalho solo na Capital

(extraído da Zero Hora)

Ex-vocalista do Los Hermanos abriu espetáculo com Passeando

Gustavo Brigatti gustavo.brigatti@zerohora.com.br

Entre gritos histéricos, pedidos de casamento e muitos flashes, Marcelo Camelo passou vitorioso por Porto Alegre. Na quinta-feira à noite, o ex-vocalista do Los Hermanos apresentou seu primeiro trabalho solo, Sou, para um Teatro do Bourbon Country cheio de fãs. E eles não se decepcionaram. Com toda timidez e simpatia possível, Camelo abriu o espetáculo com Passeando, cuja letra serviria perfeitamente como legenda para a cena: "Saibamos pois, estamos sós". Sob a luz de um único holofote, sentado num banquinho, o músico dedilhada sem pressa o violão junto ao peito. Mas a solidão — pelo menos no palco — durou pouco. Em seguida, entra o sexteto Hurtmold, e injeta um pouco de psicodelia na bossa natureba do barbudo. Engatam Téo e a Gaivota com Tudo Passa, e descem o braço com Menina Bordada — esta, uma das raras canções que fizeram lamentar a opção de manter as cadeiras do teatro ao invés de transformar tudo em pista de dança. Só que Marcelo não dança. Mal se movimenta no palco, a bem da verdade. Mas é comunicativo, repete que aquele era um momento especial e que tudo e todos ali eram lindos. E o ideal hippie atingiria seu ápice em seguida, com Janta — parceria de Camelo com a menina prodígio Mallu Magalhães. Cantada em uníssono pela platéia, só perdeu em assovios de aprovação para seus comentários sobre a afinação do violão: — Dizem que violonista passa metade do tempo afinando o violão e a outra metade pensando se ele está realmente afinado. Então quero pedir que vocês achem que ele está afinado, assim eu também acho e pronto. Sem precisar ganhar o público, Camelo vai tocando como quer e como gosta. E parecia de fato gostar de estar ali, naquela noite de primavera úmida, contando suas impressões de um Rio de Janeiro tão prosáico quanto inexistente. Fecha, então, com Copacabana, outro número onde as cadeiras apenas atrapalharam, já que ninguém se segurou sentado com o carnaval old school proporcionado por Camelo e banda. Mas o fim demorou a chegar. De fato, foram precisos mais dois bis para que o rapaz deixasse definitivamente o palco do Bourbon Country. Com o público amontoado na beira do palco, Camelo ainda cantou Cara Valente — gravada por Maria Rita em seu disco de estréia —, improvisou lá-lá-lás e fechou a conta com Fez-se Mar, de sua antiga banda. E foi embora. Sozinho.

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